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Jack-O – O Demônio do Halloween (1995)

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“Jack-O – O Demônio do Halloween”, lançado originalmente no Brasil em VHS como “Halloween – A maldição está de volta”, é uma daquelas merdas que você não consegue parar de ver até subirem os créditos finais. Para ser honesto, eu não entendi muito bem a história do filme para além das cenas de matança violenta e nudez gratuita, mas sei que às vezes isso já é suficiente.

A trama básica gira (pelo menos eu acho que) em torno do cumprimento de uma maldição envolvendo a volta do demônio Jack O’Lantern, um tipo de assassino sobrenatural com cabeça de abóbora e armado com uma foice do tamanho de um poste. E aí tem um garotinho num subúrbio norte-americano (claro) que é o protagonista e está fadado a derrotar o vilão. Ele se chama Sean Kelly e é interpretado por Ryan Latshaw, filho do diretor do longa, Steve Latshaw (daí você tira…). E tem também uma dezena de coadjuvantes absolutamente retardados a serem mortos pelo demônio (claro). E tudo isso (claro) na noite de Halloween.

jack_o_interiorBem, há mortes e mais mortes no filme e elas não são nem um pouco criativas, resumindo-se ao padrão “golpe de foice na boca dos estrombo”, mas há uma que se destaca. Há uma e apenas uma cuja mórbida concepção supera todas as outras. Em determinado momento, ao encontrar o cadáver todo arregaçado no marido do lado de fora de casa, uma mulher grita, apavorada, “ah meu deus, preciso de uma arma!”, e aí corre pra cozinha, pega uma faca de pão melada de manteiga, tropeça no tapete, escorrega, cai mas não cai, cai mas não cai, opa, opa, opa e… enfia a lâmina dentro da torradeira. Bzzz Bzzz. O choque é tão violento que ela vira uma caveira de cabelo em pé. Foda d-e-m-a-i-s. Só acho uma pena que o melhor momento do filme tenha sido obra das leis da física e não da maldade do antagonista, mas, fazer o quê?

O fato é que, ao menos na indumentária do Jack O’Lantern, a turma acertou. Tudo bem que a cabeça de abóbora dele é claramente feita de plástico e as luvas de monstro são de borracha e os movimentos dele são bem comprometidos, mas… Mas… Nhé, mas nada, acho que nem nisso eles acertaram mesmo. Pelo menos, como tudo é muito ruim, existe uma coerência estética e, já que tudo salta aos olhos, nada salta aos olhos, compreende? De qualquer forma, essa figura do cabeça de jerimum, ainda que configure uma tradição norte-americana, é mais um daqueles símbolos incorporados ao nosso repertório básico pela mídia e pelo glorioso Cinema Em Casa e não deixa de ser interessante vê-la em tela. Para o historiador inglês Peter Bruke, esse processo é chamado de hibridismo cultural, termo que se tornou recorrente em noventa e oito por cento de todas as monografias sobre cultura pop produzidas dentro do campo da comunicação na última década.

O filme, que (claro) está disponível na íntegra no youtube, ainda conta com a presença da atriz Linnea Quigley, que já em sua primeira cena aparece (claro) nua gratuitamente, como em todos os papéis da carreira. Curioso é que ela de longe a melhor intérprete do longa, cujas atuações, em geral, me lembraram aquela técnica de filmar um cachorro mastigando qualquer coisa para criar a ilusão de que ele está falando. A personagem Vivian (Catherine Walsh) é muito foda e parece ter um distúrbio que a fez perder o controle dos músculos faciais. Toda e qualquer palavra que sai de sua boca traz junto uma série de contrações e flexões das bochechas e do maxilar. Isso sem falar o belo permanente no cabelo. É imperdível.

E, se nada disso o convenceu a dar uma chance a essa pérola do horror B, só me resta dizer que talvez você devesse procurar um drama, uma comédia romântica, um filme com Julia Roberts, sei lá, alguma coisa assim. Mas, se é pra ficar na merda, eu prefiro ficar naquela com sangue, foice e baixo orçamento.

neura


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