Neurotextos

A Coisa (1985)

O personagem Charlie Chocolate em seu grande momento no filme

O personagem Charlie Chocolate em seu grande momento no filme

Há cinco voltas no sol sem sair para “brincar” o suicídio chamado Carnaval de Olinda, meus feriadões de começo de ano têm sido dedicados a tirar um tempinho pra mim. Aquela coisa, né, gente… Ir ao salão, fazer pedicure, manicure, comprar umas roupitchas… Hihihi. Só que na verdade NÃO! O que eu tenho feito realmente durante o Carnaval é vasculhar a internet à procura de filmes trash e clássicos do Cinema Em Casa enterrados sob as areias do tempo que passou e não volta mais.

Inaugurando 2017, com agremiações expelindo gosma branca por toda a Marquês de Setubaí, o primeiro longa do ano é “A Coisa”, de 1985. Dirigido por Larry Cohen, esse é um clássico absoluto das tardes do SBT. A história gira em torno de um novo tipo de sobremesa industrializada chamada “The Stuff”. Com efeitos devastadores, “The Stuff” vira uma febre nacional e logo conquista todo o povo norte-americano. É quando conhecemos o ex-agente do FBI David “Mo” Rutherford (Michael Moriarty), contratado para investigar o sucesso repentino do produto, que na verdade é uma substância de origem desconhecida, capaz de controlar a vida das pessoas que a ingerem. Em sua jornada, “Mo” tem a ajuda do garoto Jason (Scott Bloom), uma criança que por razão nenhuma odeia o “The Stuff”, da publicitária gostosa Nicole (Andrea Marcovicci) e do empresário falido do ramo alimentício Charlie Chocolate (Garrett Morris).

Nham nham. Parece sorvete só que muitxo melhor.

Nham nham. Parece sorvete só que muitxo melhor.

Mas enfim, a bem da verdade, a história não é importante. O que vale nesse longa é se deixar levar pelo bom humor sob o qual se erguem as cenas criadas por Cohen e sua equipe de efeitos especiais. Segundo consta no IMDB, iogurte, fluido de extintor de incêndio, ossos de peixe e até potes e mais potes de sorvete Häagen Däzs, o preferido do nosso presidente em exercício, foram utilizados para dar vida à gosma branca que controla mentes. A textura da substância varia de cena para cena, ora lembrando espuma de barbear, ora lembrando um galão de tinta de pintar parede, com picos de sorvete e vales de… Bem… Porra. Nham nham! Além disso, imagens em reverse e chroma keys pontuais foram os recursos utilizados para fazer a substância controladora de mentes desafiar as leis da física e nos fazer acreditar que ela estava se movendo. É nessas horas que a nostalgia bate forte…

A dublagem brasileira, por sua vez, é fantástica e traz nomes como Garcia Jr (o He-Man) dublando o protagonista do filme e até o mito vivo Isaac Bardavid (Wolverine) como o Coronel Spears, um militar anticomunista mais casca grossa que o Capitão Nascimento. Aliás, a inserção desse personagem na trama é bendizer um Deus Ex-Machina. Mas, como já falei, esse tipo de coisa não importa, pois é justamente da boca do Coronel que escutamos um das falas mais bonitas e tocantes do longa. “Setenta, oitenta, noventa por cento das pessoas não gosta de mim. Não importa o que eu faça, eu dôo o meu corpo, eu dôo a minha alma e ainda assim nunca gostaram de mim. Quando eu era criança, eu sempre fui o maior, o mais valente o mais forte, o mais esperto e o mais bonito. Eles queria ver alguém que seja medroso, fraco e sem fibra como eles são. Não estou certo, cara do FBI? Mesmo assim, gostaria que você me dissesse como melhorar a minha imagem…”.

Depois dessa lição de humildade, nem pense em procurar essa obra legendada. Aliás, como todo bom clássico perdido, ela está disponível integralmente no youtube.

neura


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